Quinta-feira, 16 de Julho de 2009

Xanéu nº 5

Aquela novela da Globo, que se passa na Índia, é ridícula. É muito idiota na verdade. É mais boba que aquelas corridas de touro lá da Espanha. Na verdade é mais boba ainda. Pelo menos as corridas de touro são a tradição espanhola. Aqui no Brasil a gente não tem costume de ficar dançando o tempo todo. Só no carnaval.

Na verdade, a novelinha é tosca que só. Quando começou, o protagonista era um, agora é outro. Acho que o pessoal percebeu que protagonista de novela não pode ter aquela cara de pobre coitado, com discurso de humilhado e oprimido. O galã é sempre um cara seguro de si, com um sorrisinho no rosto que fala as coisas bonitas pra mocinha e pega ela de jeito.

Esse negócio de galã revoltado com a condição social é meio fora de moda. O cara nasceu dallet. Problema dele, vai ser coadjuvante, pronto e acabou, no máximo ele consegue ser o vilão, mesmo assim ainda será um vilão meio sem graça.

Os indianos daquela novela são todos ricos, e o pior, nem cara de indiano eles têm. Um povo branquelo bronzeado artificialmente. Anéeeim. Todo o mundo só fala de jóias o tempo todo, tecidos, tapetes. Aliás, toda novela é assim mesmo. O problema é comigo que ainda não me acostumei. O núcleo pobre nunca é pobre de verdade. Não pega ônibus, não faz churrasco de carne de segunda no final de semana, não fala errado. Essas coisas básicas que todo pobre tá careca de saber e de fazer.

Já o núcleo rico é bacana. Tem par romântico, jantar em restaurante, viagem e tudo. Não tem par romântico no núcleo pobre nunca. Pobre não se apaixona. Quando algum pobre se apaixona em uma novela é por alguém rico. Pobre não ama pobre e ponto. É a receita.

Esse negócio de novela brasileira que se passa na Índia é podre. Já viu novela mexicana se passar no Afeganistão? Na Turquia? Não né? E porque diabos aquele povo da Índia fala português, aliás, bom português, intercalado é claro de algumas expressões como "tic", "hare baba" e hare "krishna".

Pensei que ia descansar nas férias escolares, mas quando ligo minha TV, que mal pega a Globo, sou obrigado a ver aquele negócio. Aquela novelinha é muito peba. De verdade. Credo!!!

Quarta-feira, 15 de Julho de 2009

Coisa de louco

- Sair do trabalho às 19h
- Passar em casa só pra vestir uma bermuda.
- Pagar passagem, entrar no terminal e perceber que esqueceu o radinho de pilha.
- Voltar em casa pegar o rádio, e consequentemente, perder o ônibus.
- Pagar outra passagem, entrar no terminal de novo, esperar o ônibus cerca de meia hora.
- Pegar um ônibus lotado.
- Andar cerca de 1Km pra chegar no estádio.
- Ser perseguido por três trombadinhas (vascaínos, o que é pior), querendo roubar sua linda camiseta vermelha.
- Chegar ao estádio, comer uma pamonha, que parecia ser de semana passada (estava com muita fome).
- Ver meu time perder de 2 a 0 pro Vasco, que jogou quase toda a partida com um jogador a menos.
- Voltar pra casa a pé, cerca de 5 a 6 quilômetros, mais ou menos meia hora de percurso.
- Chegar em casa meia noite e ir dormir para acordar no dia seguinte às 6h.

Parece coisa de louco né? Pior, é coisa de gente idiota. Idiota não. Vilanovense.

Quinta-feira, 9 de Julho de 2009

História de gibi

Cabelos vermelhos como o fogo. Vinham até o ombro, perfeitamente cacheados, como se cada cacho tivesse sido feito individualmente. No pescoço, nenhum colar, só o crachá de uma loja de conveniência qualquer. No rosto, nada de pó, só um pouco de suor que ela tentou enxugar com as mãos. Nos olhos, nenhuma lente, um olhar um pouco distante, vago e conveniente. Um sorriso discreto, meio torto, imperfeito, mas agradável, surgia de uma boca sem batom.

Roupa simples. Calça jeans esbranquiçada, de lavagem, camiseta com a logomarca do patrão. Os pés, um pouco sujos, é verdade, calçavam uma sandália rasteira barata e flutuavam pelo chão. Nas unhas, um esmalte claro ressaltava o contraste com a pele morena, verão.

Passou pela catraca do ônibus apressadamente e jogou a passagem no lixo, como quase ninguém faz. Sentou no banco à minha frente e abriu a janela ao lado pra tentar se ventilar. Ofereceu o lugar à um senhor que acabara de entrar, a voz um pouco rouca, em um tom respeitoso e delicado - O senhor agradeceu e disse que já ia descer - Acomodou-se novamente no lugar, prendeu os cabelos vermelhos pra cima, com uma caneta, e ficou à mostra uma tatuagem na nuca em tinta preta.

Não era uma estrela, nem uma fada, um coração ou uma flecha, ou uma flor colorida. Era apenas um nome escrito: “Dona Zani”. Abriu a mochila, dessas que se carrega de lado, e tirou dela uma revista em quadrinhos.

- Puta-merda, quem é que ainda lê gibi?

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Política dos gestos poéticos

O blog já teve uma periodicidade maior e melhor, é verdade. Nenhuma justificativa é válida. Se tenho um blog e tenho leitores, preciso abastecê-los de conteúdo e assumo minha falha nos últimos dois meses, ao menos. Mas tentarei me justificar, de qualquer forma. As 24 horas do meu dia não tem sido suficientes para a quantidade de coisas a fazer. Pré-projeto de monografia, dupla jornada de trabalho e um pouco de sono me ocupam todos os dias em uma rotina digna de canção de Chico Buarque.

Como volto à faculdade só em agosto, tentarei, durante esse mês, voltar à minha rotina normal e apaixonante, de escrever histórias reais-fictícias aqui, ao invés de contá-las a mim mesmo no espelho. Enquanto isso não acontece, fiquem com uma poesia de Mahatma Gandhi, que reli no blog do colega jornalista Amauri Garcia (já havia lido na biografia romanceada "A Política dos Gestos Poéticos). De certa forma, é isso que tem orientado minha vida e me feito um cara tão chato pra uns e legal para outros, mas que acredita na força do bem, por mais idiota que isso pareça.


“Tenha sempre bons pensamentos,
porque os seus pensamentos se transformam em suas palavras;
Tenha boas palavras,
porque as suas palavras se transformam em suas ações;
Tenha boas ações,
porque as suas ações se transformam em seus hábitos;
Tenha bons hábitos,
porque os seus hábitos se transformam em seus valores;
Tenha bons valores,
porque os seus valores se transformam no seu próprio destino.”


Fiquem na paz. Juízo, crianças. Hasta la vitória siempre!!

Segunda-feira, 29 de Junho de 2009

Última foto do Rei do Pop


Uma semana antes de morrer Michael teria visitado uma clínica de cirurgia plástica e saiu assim de lá. Talvez por isso as massagens cardíacas não fizeram muito efeito.

Obs: Deu uma melhorada boa, hein fera!!!

Terça-feira, 9 de Junho de 2009

Tudo o que eu sempre sonhei


Ouvir Rock nos dias atuais é algo meio fora de moda. Legal mesmo é punk, emo, hardcore, heavy ou black metal. Todas essas vertentes que surgiram do verdadeiro rock mas hoje caminham sozinhas. Bacana é ser de tribo, pintar a unha do dedo mindinho de preto, fumar maconha e brigar com os pagodeiros ou com os playboys da micareta lá no parque em frente ao shopping. Ouvir música boa e bem feita é o de menos.

Nesse ponto eu me sinto meio arcaico. Ainda gosto de ouvir aquele velho rock'n roll, que mistura canção de protesto com baladinha romântica bem feita. Que fala de amor e de ódio com um solinho de guitarra e uns gritinhos afinados. Minha rebeldia se restringe a pequenos atos. Só essa coisa de ser meio Chapolim Colorado e tentar "defender os que eu acho fracos e oprimidos". Para mim, o rock não morreu como disse aquele cara pálida medíocre do Marlyn Manson. Ele só mudou, pra resistir ao modismo da juventude que é uma banda numa propaganda de refrigerante.

Hoje o rock se mistura com o samba, com a bossa nova, com o brega e com o jazz. E sobrevive, sempre vai sobreviver, porque a gente tem que protestar ainda, mesmo que seja um protesto velado em uma canção. Ainda precisamos amar e ouvir aquela confissão louca que fala pro coração de verdade, que conta um dia em nossas vidas. É assim o disco "Tudo o que eu sempre sonhei" da banda Pullovers, símbolo da cena independente brasileira.

Li em algum lugar que a música que dá nome ao álbum é um tapa na cara. Discordo. Na verdade é uma surra de cacetete da ROTAM. Expõe nossas vaidades, sonhos e medos mais profundos e medíocres. O albúm ainda mistura aquele romantismo meio melancólico e triste. Com músicas assobiáveis. O disco tá quentinho, saiu do forno no final de maio. Tá tão quente que quando eu coloquei pra tocar queimou o drive do meu PC.

A banda disponibilizou o download na rede. O que acaba sendo a única saída pra quem quer fazer música. Divulgar na internet, fazer festival e fugir dessa coisa nojenta que são as rádios comerciais. Quem gosta de música de verdade, o rock que sobrevive, vai gostar de ouvir.

O Pullovers conseguiu o reconhecimento da crítica e do público quando ainda cantava em inglês. A banda poderia dar o próximo passo. Mudar pra Londres pra limpar mesas e montar um blog pra mandar as notícias da turnê internacional. Mas eles fizeram melhor. Reinventaram suas músicas. Lançaram o primeiro disco em português, que é ainda melhor que os outros e vão fazer o mesmo caminho de outrora.

Ja cantava o ex-músico Paulo Ricardo, que agora ficou retardado, depois de velho... "no underground repousa o repúdio... e deve despertar".

Terça-feira, 2 de Junho de 2009

As sedes da nossa copa


No último domingo, foram anunciadas as doze cidades brasileiras que irão sediar a Copa do Mundo de 2014. Goiânia, como alguns já esperavam, ficou de fora da lista. Muita gente concordou e mais gente ainda discordou. Alguns comentaristas esportivos ficaram com os ânimos exaltados e outros até choraram. Pois bem, também me acho no direito de comentar, embora com algum atraso, a decisão, a meu ver, extremamente política, das sedes da Copa do Mundo do Brasil.

Região Sudeste
São Paulo: Não poderia ficar de fora, é a capital brasileira com o maior número de habitantes. Tem como atrativos o Rio Tietê e o Minhocão, mas os jogos acontecerão mesmo no bairro do Morumbi.

Rio de Janeiro: Também não há o que se discutir. Conhecida como "Cidade Maravilhosa", tem como atrativos a praia, bundas de fora, praia e algumas favelas.

Belo Horizonte: Além dos conhecidos barzinhos da capital mineira, os gringos também podem conferir o pão de queijo de BH.

Região Sul
Porto Alegre: A capital gaúcha já era certa como sede. Frio e chimarrão são alguns atrativos para os gringos europeus, além é claro das moças loiras e altas.

Curitiba: A capital "sem defeitos" fará com que os gringos da europa se sintam em casa. Guardadas as proporções, é claro.

Região Norte
Manaus: Caprichoso, Garantido, Amazônia, chuva todos os dias e Zona Franca.

Região Nordeste
Recife: Praia e frevo são os principais atrativos, além é claro de bundas de fora, peitos de fora, praia e ... praia.

Natal: Praia, dunas, dunas, turismo sexual e praia.

Salvador: Axé, Caetano, Gil, Ivete, Pelourinho, praia, mar e tudo liiiindooooo.

Fortaleza: Forró, humoristas, praia, feirinhas e praia. Também tem uma castanha muito boa, que minha namorada trouxe, da última vez que foi lá. Como diria o Victor Hannover, o céu, a areia e o mar... Fortaleza e Ceará.

Região Centro-Oeste
Brasília: Dinheiro não vai faltar, mesmo que seja ilícito, nem gente com tempo de sobra pra assistir até treino, afinal, em Brasília só tem servidor público.

Cuiabá: Calor, muito calor, alguns laguinhos pra refrescar um pouco o calor, e dizem que o estádio terá ar condicionado.

O que Goiânia teria a oferecer?
- Um projeto de um transporte público bom
- Um projeto pra desafogar o trânsito
- Um projeto de um aeroporto
- Um projeto de um estádio moderno
- Alguns projetos de hotéis
- Um projeto disso e outro daquilo, concreto mesmo, só no Viaduto da T-63, pra evitar que as placas continuem caindo.

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Comentem aí, abraço!!!