
Avisa o menino faminto, deitado embaixo das luzes que piscam na avenida,
que a cidade está bonita. Fala pra ele dar uma volta e contemplar.
Conta pra aquela velhinha do pé sujo, sozinha no mundo, que o Chester está em promoção. Fala pra ela botar um no forno e fazer o jantar.
Fala pra menina barriguda, que espera o nenêm, lá na mesa do bar. Diz pra pegar uma boneca em promoção. Dessas que sabe até cantar.
Diz pro senhor que coloca a estrela na árvore e embrulha os presentes, que Jesus não vai voltar. Diz pra ele não ir hoje à missa pra rezar.
Pede pro dono da loja do shopping guardar o seu lucro embaixo do colchão e demitir os meninos depois que o fim de ano passar.
Avisa esse povo cego, que guarda um trocado pra comprar uma roupa nova, que o Papai Noel não vai chegar.
E pede pro padre ou pastor, que alimentam essa história na mente do povo, pararem com esse blá, blá, blá.
Avisa pra esse tio bêbado que não pára de soltar fogos, abaixar essa música horrível deixar eu dormir e sonhar.
Avisa a família na sala, que eu prefiria um churrasco e não vou espera a meia-noite chegar.
Diz que eu estou com sono e que amanhã cedo, quando esse papo cessar eu como o arroz e feijão que sobrar.
Quando acabar essa tortura, me compra uma cerveja, vamos falar de coisas sérias, mas agora me deixa descansar.
